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167//cantina_eccolet
Tipo de projeto
Cantina / Restauração
Data
2025
Localização
São João de Ver, Santa Maria da Feira
Materiais
piso industrial stonhard, painel casquinha, micro-cimento
Descrição
O ponto de partida foi recusar que uma cantina sirva apenas para comer. Um espaço desta dimensão, usado a sério durante duas horas por dia, é um desperdício de área e de oportunidade. Interessava que funcionasse como espaço comunitário e de partilha, um sítio onde se possa estar antes e depois da refeição, ler, trabalhar, conversar ou simplesmente ficar. Daí que espaço não seja tratado como um campo uniforme de mesas iguais, mas como uma sequência de zonas com posturas diferentes: as mesas corridas de refeição, a zona de cafetaria, e uma zona de estar com bancos de desenho orgânico onde a permanência é de outro tipo.
As estantes são o instrumento que torna isso possível. São peças autoportantes, colocadas entre zonas, e fazem três coisas ao mesmo tempo. Dividem sem fechar, porque são abertas e deixam passar a luz e o olhar. Reduzem a escala percebida de um espaço amplo, ao introduzirem uma medida intermédia entre o pé-direito e a mesa. E funcionam como zona de filtro, ou seja, quem circula não atravessa a mesa de ninguém e quem está sentado não fica exposto a todo o salão. Por serem estantes e não painéis, ganham ainda outra função, a de suportar livros e objetos trazidos por quem usa o espaço, o que é a forma mais simples de o tornar de facto partilhado.
Nas texturas, a divisão é clara: o cinzento é o que se pisa e se lava, a madeira é o que se toca. O pavimento é resina contínua em dois tons de cinzento, usados para distinguir a zona de serviço da zona de estar, e os planos de maior desgaste são em termolaminado cinzento de aspeto homogéneo. Contra essa base neutra, a madeira maciça de casquinha, com acabamento natural mate, reveste as paredes, as mesas e as estantes, e é ela que dá calor a um espaço que, de outro modo, seria demasiado técnico. A iluminação acompanha esta lógica com linhas contínuas no teto e nas paredes, que dão direção ao salão comprido e marcam, sem sinalética, a passagem de uma zona para a outra.










































